A Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) recebeu, nesta quarta-feira (10), integrantes da Rede de Mulheres Negras da Bahia para uma agenda de diálogo e escuta coletiva sobre os desafios e prioridades das mulheres negras baianas. O encontro, realizado no gabinete da secretaria, reuniu representantes de terreiros, sindicatos, movimentos sociais, organizações comunitárias, coletivos e instituições que atuam na defesa dos direitos das mulheres negras do estado.
Durante a reunião, a secretária das Mulheres do Estado, Camila Batista, ouviu as demandas apresentadas pelas participantes e recebeu um documento construído coletivamente pela Rede de Mulheres Negras da Bahia, contendo propostas para o fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres negras. Entre os temas destacados estão a ampliação das políticas de cuidado, o enfrentamento ao feminicídio e ao racismo estrutural, a geração de trabalho e renda, a ampliação da rede de proteção às mulheres em situação de violência, o fortalecimento da participação política e a garantia de acesso a direitos nos territórios do interior do estado.
A coordenadora da Rede de Mulheres Negras da Bahia, Lindinalva de Paula, ressaltou a importância do espaço de escuta promovido pela Secretaria.
“Estamos apresentando uma demanda histórica por políticas específicas. Quando não se dialoga com o maior grupo demográfico e com quem vivencia historicamente as maiores vulnerabilidades, a política pública não chega na ponta. Agradecemos essa escuta. É a primeira vez que a Secretaria recebe coletivamente as mulheres negras para ouvir nossas pautas. Compreender as diferenças e as especificidades das mulheres negras, indígenas e de terreiro é fundamental para a construção de políticas mais efetivas para todas”, afirmou.
A integrante da Casa da Mulher Negra da Bahia, Suely Santos, destacou a contribuição dos movimentos sociais na formulação de propostas para o poder público.“Cada mulher que está aqui contribui, a partir da sua trajetória de luta, para a construção dessas proposições. São pautas que consideramos fundamentais e que refletem as demandas históricas das mulheres negras baianas”, pontuou.
Representando o Movimento de Mulheres Negras Dandara do Sisal, a ativista Cleuza Juriti de Souza, que veio do município de Serrinha, destacou a importância da aproximação entre a SPM e os movimentos sociais. “Somos maioria e precisamos estar no centro das discussões. Foi muito importante perceber a disposição da Secretaria em nos ouvir. Essa reunião representa uma caminhada de aprendizado e de fortalecimento das políticas públicas para as mulheres negras da Bahia. Caminhar junto com os movimentos sociais fortalece a construção dessas políticas”, avaliou.
A ialorixá Mãe Jacira de Santana Miranda, da Rede Religiosa de Matriz Africana do Subúrbio (RREMAS), também ressaltou a relevância do encontro.
“Essa reunião fortalece as mulheres negras e nos ajuda a esclarecer dúvidas e encaminhar demandas. Precisamos de mais ações como essa. Saber que a Secretaria está preocupada em ouvir e apoiar as mulheres negras já é um passo importante para o nosso fortalecimento”, disse.
O documento entregue pela Rede de Mulheres Negras da Bahia destaca a necessidade de ampliar ações voltadas à proteção das mulheres, à redução das desigualdades raciais e de gênero e ao fortalecimento da autonomia econômica. Entre as propostas apresentadas estão o fortalecimento das políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres, a reativação das unidades móveis de atendimento, a inclusão de representantes do movimento negro nos espaços de formulação das políticas de cuidado e a criação de um observatório estadual de desigualdade de gênero.
Após a escuta das representantes da Rede de Mulheres Negras da Bahia e o recebimento do documento com propostas do movimento, a secretária das Mulheres do Estado, Camila Batista, destacou que a escuta e a participação social são princípios fundamentais para a construção das políticas públicas desenvolvidas pelo Governo do Estado.
“Nosso compromisso é fortalecer cada vez mais os espaços de diálogo e participação social, ouvindo as diversas vozes e realidades das mulheres baianas. É a partir dessa escuta qualificada que conseguimos construir políticas públicas mais efetivas, inclusivas e representativas, capazes de responder às demandas dos diferentes territórios e segmentos de mulheres do nosso estado”, afirmou.
Fonte: Ascom/SPM
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